Aceleradores do Conhecimento
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Aceleradores do Conhecimento

By Marcos Roberto updated Dec 13, 2017

A IA (Inteligência Artificial) não é um assunto novo, pelo contrário, foi inventada na década de 50, mesma época que os autores: Alvin e Heidi Toffler no livro “O Futuro do Capitalismo” apontam que surgiu a nova era que estamos vivendo hoje, a Era do Conhecimento, que está após as Eras Agrícola e Industrial, respectivamente.

 

Figura 1


Em 2017 vimos explodir a divulgações e utilização cada vez mais frequente da IA, mas ela por si só não aumenta o conhecimento. São necessários outros elementos que a tornam cada vez mais importante no nosso dia-a-dia.

Com o volume cada vez maior de conhecimento sendo produzido por nós e sendo despejado dentro das Empresas, nas Redes Sociais,  em Computadores Pessoais e na Nuvem fica cada vez mais difícil as pessoas conseguirem analisar o que pode ser ou não mais relevante para si e para o seu trabalho. Além desta seleção, é importante observar que cada vez mais tarefas repetitivas e/ou operacionais não poderão ser mais feitas por nós, e a razão para isso é que se quisermos ter uma efetividade maior na tomada de decisões precisaremos ter ferramentas que nos auxiliem com esta tarefa.

A IA é uma das ferramentas que pode ajudar a sermos mais efetivos e ajudar a acelerar a criação de novos conhecimentos.  Para que ela pudesse ter aplicações mais próxima com o nosso cotidiano e produzir mais conhecimento, elementos da tecnologia avançaram muito e ajudaram a impulsionar o uso dessa ferramenta:

  • os micro-processadores mais rápidos para computadores cada vez menores,
  • armazenamento digital mais barato e rápido,
  • aumento da velocidade das conexões de dados,
  • ligação de pessoas de diferentes culturas e hábitos ao redor do mundo, através de sistemas de Video Conferência, Redes Sociais, Consoles de Video Games conectam e criam equipes para jogar diversos tipos jogos - hoje  já passamos dos 3.5 Bilhões de pessoas que acessam a internet ao redor do Mundo (UNCTAD (2017). Information Economy Report, pág. 47) através de milhares de dispositivos móveis e computadores.

Figura 2

Além da IA, outras tecnologias como Cloud, Redes Sociais, Internet das Coisas aceleram cada vez mais a produção de novos conhecimentos, armazenando-os dentro de Big Data e/ou compartilhamento destas informações com as pessoas/empresas.

Quanto mais tentamos entender quais são os impactos dessas tecnologias e as utilizamos, mais conhecimento é gerado e armazenado em nossos cérebros e nos dispositivos digitais, compartilhado em seguida com diferentes pessoas de diferentes culturas, assim mais conhecimento é produzido. O conhecimento entra em um ciclo virtuoso, produzindo mais conhecimento.

Em uma velocidade infinitamente menor que os aceleradores tecnológicos do conhecimento, as leis que protegem os dados dos usuários vêm sendo adaptadas a esta nova realidade com o objetivo de proteger os usuários da violação, exposição, divulgação e publicação de dados não autorizados. Esses leis não acompanham a evolução exponencial do conhecimento, da tecnologia e da entrada de novas pessoas na Internet por isso precisamos ter o discernimento para não criarmos leis que barrem esse crescimento; barrar esse crescimento poderia bloquear também a geração do conhecimento para descobrirmos novos caminhos para melhorar os controles e formas de proteger os dados.

Conscientizar e educar as pessoas em seu uso é uma das maneiras mais eficazes, mas não suficiente para impedir as pessoas com más intenções possam se aproveitar de diversas informações oferecidas nos meios digitais.

Entender esse novo contexto, entender os problemas reais que nos cercam é uma maneira mais adequada para conseguirmos nos adaptar a esta avalanche de tecnologia, mudanças políticas, econômicas e sociais que vivemos.

Um bom exemplo da criação de barreiras legais foi visto logo após o inicio da Revolução Industrial, outro grande marco da mudança na forma de produzir, viver em sociedade e criar riquezas.

No livro a Cultura da Participação, autor Clay Shirky, página 3, o autor conta uma história real e interessante sobre como a sociedade na Inglaterra na época da Revolução Industrial usava de subterfúgios para conseguir o Gin (bebida destilada a base cereais) que foi proibido pelo Parlamento Inglês:

“Londres era o local de maior influxo populacional acarretado pela industrialização. De meados do século XVII a meados do século XVIII, a população da cidade aumentou duas vezes e meia mais depressa do que a do restante da Inglaterra. Em 1750, um em cada dez cidadãos ingleses vivia lá, comparado com um em cada 25 um século antes.
A industrialização criou não apenas novas formas de trabalho, mas também novos modos de vida, porque a redistribuição da população destruiu antigos hábitos comuns à vida rural, ao mesmo tempo que, com tanta gente reunida num só lugar, a nova densidade populacional destruiu os antigos modelos urbanos. Numa tentativa de restabelecer as normas londrinas pré-industriais, o Parlamento atacou o gim. Começando no final da década de 1720 e continuando pelas três seguintes, aprovou lei após lei proibindo vários aspectos da produção, do consumo ou da venda de gim. Essa estratégia foi ineficaz, para dizer o mínimo. O resultado foi, então, um jogo de gato e rato da legislação para evitar o consumo da bebida durante trinta anos, acompanhado pela ágil invenção de maneiras de burlar essas leis. O Parlamento declarou ilegais as “bebidas aromatizadas”, então os destiladores pararam de adicionar bagas de zimbro ao líquido. A venda de gim foi proibida, então mulheres o vendiam em garrafas escondidas sob suas saias, e alguns comerciantes criaram o “gato e miado”, uma espécie de armário montado nas ruas, do qual um freguês podia se aproximar e, se soubesse a senha, entregar o dinheiro ao vendedor escondido ali dentro e receber em troca um cálice de gim.
O que acabou com a mania não foi nenhum conjunto de leis. O consumo de gim foi tratado como um problema a ser resolvido, quando de fato era uma reação ao problema real – mudanças sociais dramáticas e a inadaptabilidade de antigos modelos cívicos. O que ajudou a acabar com a gim-mania foi a reestruturação da sociedade em torno de novas realidades urbanas criadas pela inacreditável densidade populacional de Londres, uma reestruturação que a transformou no que identificaríamos como uma das primeiras cidades modernas.”


Com podemos verificar no trecho citado acima, precisamos entender as razões e as causas reais dos problemas. O Parlamento Inglês inicialmente não atacou a causa do problema e não observou o contexto e sim tentou restringir situações que fugiram de seu controle.

Análogo ao que aconteceu do século XVIII, criarmos leis para controlar a geração de conhecimento poderá gerar rotas alternativas e subterfúgios para driblar legislação e gerar menos conhecimento e até mesmo inibir aceleradores que podem ajudar a gerar mais conhecimento para as empresas, política, economia e para a ciência.

Para pensar…..

Se cada vez mais os aceleradores do conhecimento, do ponto de vista da tecnologia, estão se tornando mais eficientes, melhores e mais baratos, como nos tornarmos mais eficientes mediante ao volume de informações que lidamos hoje e amanhã?

Quais são os novos aceleradores que irão surgir para acelerar o conhecimento no campo da tecnologia além dos microprocessadores, velocidade de conexões, redes sociais,  espaços para armazenamento de dados, Internet das Coisas, Drones, Cloud e IA?

 

Autor: Marcos Roberto de Barros Silva


Referencias:
Livros e Publicações:
1. UNCTAD - United Nations Conference on Trade and Development. Information Economy Report, 2017.

2. Shirky, Clay. Cultura da Participação.

3. Toffler, Alvin e Toffler, Heidi.  O Futuro do Capitalismo.

Figuras:
1. Figura 1:
K BY Ansonlobo UNDER CC BY-SA 40

2. Figura 2:
Intel Pentium Processor (backside) with heat sink BY Krzysztof Burghardt UNDER CC BY-SA 30
Night lapse of the 401. Even at 9-30pm, the route is still very busy BY kennymatic UNDER CC BY 20
Social Media BY pixabay UNDER CC BY-SA 4.0
BigData definition BY Camelia Boban UNDER CC BY-SA 3.0